Bom, nessa terceira aula no Laboratório de Jornalismo, nós tivemos um visão de como uma redação de jornal funciona durante 24h. Na verdade, uma redação jornalística nunca pára, mas aqui falarei o ciclo completo para entendermos melhor esta árdua vida de um jornal.
A rotina começa às 7h da manhã, com os jornalistas chegando ainda sonolentos, com chimarrão e garrafa térmica embaixo do braço e idéias para a pauta do dia. Antes de começar a escrever uma linha sequer, eles lêem os jornais e ouvem todas as rádios possíveis para se manterem informados com as primeiras notícias da manhã e, quem sabe, aprofundar alguma delas.
Às 8h começa o "lead" jornalístico de fato! As matérias vão sendo pensadas e colocadas em prática, os repórteres vão as ruas atrás da verdade. Curiosidade: se eles precisarem sair de carro, os motoristas oficias os levam a qualquer lugar!Isso mesmo, eles, por lei, não podem dirigir seus carros ou até os da redação em horário de serviço, correndo o risco de poderem ser processados se alguma coisa acontecer ao carro ou ao usuário.
Enfim, às 10h as matérias já vão tomando corpo e assumindo seus lugares no planejamento. Ocorre a primeira reunião entre os editores de todas as áreas(economia, politica, esportes, polícia, etc) para "lutarem" por espaço, para as principais matérias do dia. Com isso, notícias novas aparecem e desbancam outras que já estavm pré estabelecidas. Isso tem o nome de "cair" e consiste na coisa mais normal do jornal: uma notícia pequena dá lugar à uma mais importante ao público leitor.
Ao 12h a redação está um manicômio, literalmente. Os profissionais do turno da manhã ainda não terminaram de editar suas matérias e os da tarde já estão chegando para trabalhar, causando loucura no ambiente. Não me entenda mal, eles não saem no braço, apenas "fazem malabarismos" para administrar o espaço real que possuem.
Durante a tarde, o clima é semelhante ao da manhã, mas é depois das 18h que a situação realmente fica caótica.
Com o horário de fechamento da edição previsto para às 20h30, a correria pra terminar o texto se instala. Durante essa tarde toda, naturalmente, matérias prontas "cairam" em importância à outras, a diagramação já está quase toda pronta, o "calhau"(expressão para os anúncios publicitários) está todo organizado.
Curiosidade: o calhau é quem paga os salário dos jornalistas, fotógrafos, editores e motoristas. Apesar de pagarmos pelo jornal, o valor só cobre a tinta e metade da conta do papel usado. O resto vêm do pagamento da propaganda veiculada nas páginas do jornal, como Casas Bahia, Jardim Europa e Universitário. Há também uma lei implícita nesse meio do jornal: nunca se briga por espaço de propaganda. Se o anunciante pede 10cm ou uma página inteira, ele terá o que quer, sempre. Nem adianta discutir, afinal, são eles que trazem a maior renda ao jornal.
Às 20h30, depois de muito custo, o jornal está fechando, só faltam fazer arrumar os cadernos, por assim dizer.
Onze horas da noite, após mais de 12h de horas de pesquisa e muita luta, as prensas são ligadas e os primeiros jornais impressos começam a sair. Mas ainda não acabou!
Enquanto as prensa estão rodando o mundo continua girando e os acontecimentos não páram. Enquanto a primeira edição está ficando pronta, a segunda já está praticamente terminada, sempre procurando atualizar o máximo o jornal, as vezes, precisando de até uma terceira edição.
Durante a madrugada, as notícias são atualizadas no site e os jornais, ainda quentes, são distribuídos por toda Porto Alegre há tempo de serem lidos pelos trabalhadores.
Cairo Fontana
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário