segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Vinte e quatro Horas numa Redação

Bom, nessa terceira aula no Laboratório de Jornalismo, nós tivemos um visão de como uma redação de jornal funciona durante 24h. Na verdade, uma redação jornalística nunca pára, mas aqui falarei o ciclo completo para entendermos melhor esta árdua vida de um jornal.

A rotina começa às 7h da manhã, com os jornalistas chegando ainda sonolentos, com chimarrão e garrafa térmica embaixo do braço e idéias para a pauta do dia. Antes de começar a escrever uma linha sequer, eles lêem os jornais e ouvem todas as rádios possíveis para se manterem informados com as primeiras notícias da manhã e, quem sabe, aprofundar alguma delas.
Às 8h começa o "lead" jornalístico de fato! As matérias vão sendo pensadas e colocadas em prática, os repórteres vão as ruas atrás da verdade. Curiosidade: se eles precisarem sair de carro, os motoristas oficias os levam a qualquer lugar!Isso mesmo, eles, por lei, não podem dirigir seus carros ou até os da redação em horário de serviço, correndo o risco de poderem ser processados se alguma coisa acontecer ao carro ou ao usuário.
Enfim, às 10h as matérias já vão tomando corpo e assumindo seus lugares no planejamento. Ocorre a primeira reunião entre os editores de todas as áreas(economia, politica, esportes, polícia, etc) para "lutarem" por espaço, para as principais matérias do dia. Com isso, notícias novas aparecem e desbancam outras que já estavm pré estabelecidas. Isso tem o nome de "cair" e consiste na coisa mais normal do jornal: uma notícia pequena dá lugar à uma mais importante ao público leitor.
Ao 12h a redação está um manicômio, literalmente. Os profissionais do turno da manhã ainda não terminaram de editar suas matérias e os da tarde já estão chegando para trabalhar, causando loucura no ambiente. Não me entenda mal, eles não saem no braço, apenas "fazem malabarismos" para administrar o espaço real que possuem.
Durante a tarde, o clima é semelhante ao da manhã, mas é depois das 18h que a situação realmente fica caótica.
Com o horário de fechamento da edição previsto para às 20h30, a correria pra terminar o texto se instala. Durante essa tarde toda, naturalmente, matérias prontas "cairam" em importância à outras, a diagramação já está quase toda pronta, o "calhau"(expressão para os anúncios publicitários) está todo organizado.
Curiosidade: o calhau é quem paga os salário dos jornalistas, fotógrafos, editores e motoristas. Apesar de pagarmos pelo jornal, o valor só cobre a tinta e metade da conta do papel usado. O resto vêm do pagamento da propaganda veiculada nas páginas do jornal, como Casas Bahia, Jardim Europa e Universitário. Há também uma lei implícita nesse meio do jornal: nunca se briga por espaço de propaganda. Se o anunciante pede 10cm ou uma página inteira, ele terá o que quer, sempre. Nem adianta discutir, afinal, são eles que trazem a maior renda ao jornal.
Às 20h30, depois de muito custo, o jornal está fechando, só faltam fazer arrumar os cadernos, por assim dizer.
Onze horas da noite, após mais de 12h de horas de pesquisa e muita luta, as prensas são ligadas e os primeiros jornais impressos começam a sair. Mas ainda não acabou!
Enquanto as prensa estão rodando o mundo continua girando e os acontecimentos não páram. Enquanto a primeira edição está ficando pronta, a segunda já está praticamente terminada, sempre procurando atualizar o máximo o jornal, as vezes, precisando de até uma terceira edição.
Durante a madrugada, as notícias são atualizadas no site e os jornais, ainda quentes, são distribuídos por toda Porto Alegre há tempo de serem lidos pelos trabalhadores.

Cairo Fontana

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